du.CAna


23/02/2013


Correio do Pampa 176

 

Edição 447

23 & 24 de Fevereiro

2013

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Artistas e os espaços culturais

Muitos artistas locais, antes de eu me tornar qualquer coisa, já os ouvia, queixavam-se da falta de apoio, de espaço, de valorização. O dramaturgo da BR, quantas vezes ficou sem poder usar a Sala Cultural por falta de datas e datas previamente agendadas ficaram só no papel. O coreógrafo foi exonerado, teve seu lugar ocupado por uma pessoa que tinha de contratar outro coreógrafo porque criar coreografia não lhe era do saber. Quantos artistas e artistas sentiram-se preteridos, sem ser escutados e quando com recursos próprios e de suas iniciativas mostravam suas obras, ajudaram a engrandecer a cifra dos números dos belos relatórios.

Espaço para quem de espaço precisa

Com certeza, fazer uma composição musical, podemos mostrar aos amigos, mas levar ao público a coisa não é tão fácil, por isso a municipalidade precisa se aparelhar e dar condições às estruturas para poder atender a demanda dos artistas. Criar uma peça teatral, ensaiar, montar cenário e apresentar ao público onde? Uma cidade que se preza tem de ter o seu teatro, a sua casa de espetáculos. Apresentações teatrais, musicais, poéticas em um espaço previamente preparado para cada espetáculo, além de motivar às produções artísticas culturais, desperta na população a vontade de querer assistir os mais diferentes tipos de espetáculos.

Um recadinho do facebook

Parabéns, Canabarro, por ser o Secretário Municipal de Cultura de nossa cidade. Bom saber que desta vez temos um artista e professor como secretário, que prestigia e entende os sacrifícios e problemas que enfrentam a área artística e cultural em nosso município. Espero que dessa vez os artistas santanenses e os projetos culturais de nossa cidade, que por muitas vezes não são valorizados, perdendo apoios e oportunidades para projetos de fora da cidade, tenham seu valor, destaque e apoio dessa nova Secretaria!!! Vamos valorizar a cultura e a classe artística santanense! Abraços e Boa sorte!!!

Nem todos são iguais

Realmente, nem todos são iguais e nem todos tem os mesmos objetivos. Sem querer comentar o recado acima, tecido por uma amiga artista, futura cineasta, que sempre esteve perto de quem estava no governo e agora tem esperanças nos que estão chegando ao governo, ela perceberá: todos os espaços sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer estarão sendo revitalizados e preparados para uso dos artistas sem restrições a estes ou aqueles. Farão uso todos os que se enquadram dentro de uma condição artística mínima, que nem tudo é arte, mas desde que chegue a “condição de arte”, já será objeto da nossa atenção...

Desabafo de um velho folião

Eu sou do tempo do “Corso” ali no largo do Internacional, com um coreto, com blocos carnavalescos, as múrgas de Rivera, do tempo do Pierrot e da Colombina e muito confete e serpentinas. Sou do tempo dos mascaritos, dos concursos de fantasias, carros alegóricos... Depois dos Prediletos, dos Cariocas, vieram as “Escolas de Samba” e transformaram o nosso carnaval local numa cópia (pobre) do carnaval carioca e colocaram arquibancadas, nunca mais o carnaval de Livramento, que era livre, popular e participativo, com o povo na rua, com mesas sobre as calçadas do Bar Tupinambá, do Palacinho, os autofalantes nos postes e a passagem dos carros enfeitados subindo e descendo a Sarandi, retornando no largo do Internacional, carnaval que sempre foi binacional, nunca mais, acabaram com o corso. E o bom do carnaval é a sua diversidade. Povo sentado não faz carnaval, assiste.

Escrito por jn canabarro às 16h21
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12/02/2013


Correio do Pampa 175

 

Edição 446

09 & 10 de fevereiro

2013

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Ser bicho, ou ser gente?

Uma formiga é uma formiga pelo simples fato de nascer. Ela nasce, vive e morre como formiga. Leva sua vida a termo e sempre será uma formiga. Mas ao homem não basta nascer para ser homem, existe uma constante de aprendizado que vão nos formando, nos capacitando, nos modelando como gente e quando somos chamados a dizer quem somos, podemos ou não mostrar a nossa obra, as nossas conquistas, a nossa própria formação. E então confirmar: nós somos o que fazemos.

Somos o que escolhemos ser

Para nos diferenciarmos das formigas, da condição de nascer, viver, morrer dos animais, o grande segredo está nas escolhas. Na escolha que fazemos todos os dias, nas tarefas que nos propomos. É o acúmulo das nossas escolhas que podem nos modelar a vida e transformá-la. Com um pouco de sorte, mais o trabalho e o estudo, muito mais que deixar o tempo passar, o próprio tempo dirá se fomos mais ou menos bem sucedidos. Mas tenha certeza, grande parte do sucesso que atingimos no mundo, está nas nossas escolhas.

Zé Adão Barbosa, um homem que escolheu

O Zé Adão Barbosa, ator que mora em Porto alegre, conheci-o por ocasião das filmagens de “O Tempo e o Vento” em Pelotas e Bagé. Ele é um camarada de personalidade, não só por esse feito, pediu demissão no meio de uma novela da Globo, não gostou do tratamento dos diretores com os atores menos famosos e caiu fora... Zé é um ator fantástico. Esses dias ele falou na televisão: eu nunca vou ser rico. Nenhum ator no Rio Grande do Sul vai enriquecer fazendo teatro. Quer enriquecer com o teatro então tem de ir para São Paulo. Quer ficar famoso, vai fazer teatro no Rio... Ele escolheu viver em Porto Alegre e é grande ator e muito feliz...

Na abertura do ano letivo

Comentei com os professores e professoras na mística de abertura do ano letivo da educação infantil do município, lhes disse: Vocês escolheram estar aqui, isso é um passo, se foram convidados também é outra decisão. “Deixa a vida me levar, vida leva eu” só para quem canta bem é artista famoso da televisão, caso contrário, nós somos quem temos de empurrar a vida, formá-la, participar das decisões, ou ao menos saber das coisas e cobrar dos que tem a obrigação de fazer, e, fazer o que temos de obrigação fazer. Nós temos de dar e saber a importância daquilo que fazemos. Saber o que representa para as outras pessoas essa nossa tarefa, que é uma escolha nossa. Ser professor é uma tremenda escolha.

Eu escolhi e professei

Eu dizia aos meus jovens alunos: a nossa formação, a iniciação, a preparação do nosso futuro está na sala de aula, mas não só na sala de aula. Temos de alargar as nossas participações – na banda da escola, no grupo de teatro, no grupo de danças, no grêmio estudantil, buscar a participação da vida social e política da nossa comunidade, ser participativo e proativo. Essas escolhas, com certeza, nos colocarão na trilha do sucesso. Somos humanos, temos de nos fazer e refazer todos os dias. O acúmulo das nossas experiências é que mostrará quem somos, e não somos formigas... Somos gente. E como gente devemos saber escolher e viver num constante aprendizado e usando para o bem tudo o que aprendemos.

Da escolha a ser escolhido.

Eu fiz importantes escolhas na minha vida. Fui operário, depois professor, paralelamente escolhi muitas outras atividades: sindicalista, político partidário, ator de teatro. Nunca ninguém me obrigou a nada e das minhas escolhas fiz meu sustento. Tive oportunidade de viver em outras plagas, mas retornei a minha Livramento e aqui escolhi levar minha vida a termo. Acho que escolhi bem, adquiri experiências e como resultado dessas escolhas fui escolhido Secretário Municipal da Cultura. 

Escrito por jn canabarro às 15h06
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03/02/2013


Correio do Pampa 174

 

Edição 445

03 & 04 de fevereiro

2013

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A idade que temos

 

Peço licença para vos falar de uma particularidade: quando se está com 64 anos, gozando de boa saúde, não é de todo ruim, contar com essa idade, alias, eu diria que é até muito bom. Com seis décadas de existência poucas coisas nos são impeditivas, moderadamente pode-se fazer de tudo. Tudo mesmo! Desde que não vá contra as leis. Trepar... em árvores, por exemplos, que necessidade temos de subir em árvores? Subir escada correndo, pra quê? Descer do ônibus em movimento, então? Que loucura. Tantas são as coisas que podemos fazer sem a necessidade de se acreditar sempre jovem... Podemos nos sentir jovens com 60 anos. Mas com 60 anos somos velhos.

 

As coisas mudam e mudamos juntos

 

Mas o mundo está aí com todas as suas modernidades, a cada dia uma invenção, um produto novo, novas necessidades... Há alguns anos passados, quem de nós precisava do celular para se comunicar com os parentes, amigos... Quem de nós carregava um “not book” debaixo do braço?

Sentimos vontade de rir quando dizem: – ah, isso não é do meu tempo (tendo com isso o objetivo de mostrar que se é mais jovem). Ou dizer – isso é do teu tempo (brincando de dizer que somos mais velhos). Mas de tudo isso, tirando o vigor físico, que é inegável aos mais velhos cada vez mais debilitado, e isso faz parte da vida (isso de ser mais velho), eu diria que temos uma vantagem, somos mais experientes. Quem não conhece o dito popular: o diabo é sábio não por ser diabo, mas por ser velho.

 

A história é como um idiota

 

Faz parte do cotidiano da humanidade, de tempos em tempos a história se repete, só mudam os personagens... Nunca ouviram a frase: a história é como um idiota, se repete, se repete, se repete... Numa entrevista Millôr Fernandes fez esta declaração, segundo o Jornal A Platéia do dia 20 de janeiro de 1980, isso mesmo, há 33 anos... “Na verdade, o que este país está precisando, no momento, é da coisa mais primária e mais fundamental, da virtude mais reles, mais bíblica e mais inseparável da vida: a honestidade... E, não estou falando da honestidade política, social, metafísica, etc., etc. Estou falando, apenas, daquela honestidade que nos impede de bater a carteira do vizinho. Está todo mundo roubando todo mundo neste país.” – Como assim, Millôr, todo mundo?

 

Em outros tempos, com outras palavras

 

Num documento impresso do Senado Federal, Rio de Janeiro, 1914, na publicação consta uma frase que ficou conhecidíssima do renomado senador e escritor Rui Barbosa. “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

 

Comparando os textos

 

O primeiro texto tem três décadas, o segundo quase um século.

Se Millôr Fernandes e Rui Barbosa se plantassem aqui na minha frente, eu diria a eles: não gosto de generalizações. Emparelhar todo mundo, nivelar por baixo. O que é isso? Se é verdade o que disseram, todos os que estão lendo este texto seríamos corruptos, ou estaríamos morrendo de vergonha.

Lembram? Está todo mundo roubando todo mundo neste país. – Isto é, Millôr nos inclui a todos... Os bons desanimam da virtude, riem-se da honra, e sentem vergonha de ser honestos, afirma Barbosa. Por outro lado as nulidades, os desonrados, os injustos, os maus estão a agigantar-se? E não temos como lhes parar o carro? O senso comum, na maioria das vezes, é burro. Até serve para chamar a atenção, não para mostrar como é a realidade, mas dar ciência de que uma parte dessa realidade precisa ser questionada.

 

Vamos deixar a história se repetir?

 

Fazendo um exercício e usar os dois escritores para uma reflexão, o senso comum usado por eles (todo mundo) deixaria de sê-lo para tornar-se senso crítico. Então podemos perguntar: quem tem vergonha de ser honesto? Quem está roubando quem? As experiências dos anos não podem nos tornar idiotas, temos consciência e sabemos quando tentam nos enganar. Transformemos o senso comum numa embasada reflexão. Mostremos o que significa fazer críticas e o que existe de real pro detrás delas. Eu tenho 64 anos e conheço vários argumentos, não parei no tempo e sei fazer meu tempo.

Escrito por jn canabarro às 11h56
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26/01/2013


Correio do Pampa 173

 

Edição 444

26 & 27 de janeiro

2013

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Coluna do

JN Canabarro

publicada na página 03

do Correio do Pampa impresso.

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Certo homem em certo lugar, faria o quê?

Tenho muitos amigos e converso com uns tantos sempre que posso. No momento quase que a unanimidade deles, quando falam comigo pelo facebook, pelos e-mails que me mandam, ou quando me encontram na rua, trazem o assunto da minha nomeação, agora assumido com 18 dias úteis de trabalho à frente da pasta, como secretário da cultura. Todos me parabenizando ao mesmo tempo em que rasgam elogios dizendo eu ser o homem certo no lugar certo. Contando que todos são meus amigos não vou dizer que está havendo um pouco de exagero, mas uma expectativa acima da média, com certeza e alerto amigos, não vou acertar sempre e satisfazer a vontade de tantos quanto me procuram, principalmente dos que não são tão amigos. A eles sobrarão motivos de críticas. Mas quem julga conhecer-me sabe: gosto, mas não sou movido a elogios, a crítica é que me alimenta. Ainda mais quando vinda de uma ex-aluna.

Princípio de Peter

Assusta-me o princípio de Peter, porém tenho de descobrir as minhas limitações. Se elas ficarem latentes, ainda me restam a vontade e a busca de aprimoramento para não ficar estagnado ou regredir. Somos humanos e não sabemos tudo, mas evidenciamos as nossas virtudes. Quantos me julgaram competente no teatro, como professor durante 30 anos? No cinema sempre que exigido diante das câmeras satisfiz a direção, no palco o que o mestre pedia, premiado como artista plástico, como poeta, acredito nisso haver competência. Reflexo, ação e reação diante do perigo de morte naquele acidente automobilístico que fomos acometidos. Disse o amigo que hoje é mandatário: – Não fosse a habilidade do motorista, todos teriam morrido. As marcas no asfalto registraram manobras... Tivemos oportunidade de mostrar competência em muitas coisas e por essa competência demonstrada galgado a um patamar mais alto. Pois é, de pedra à vidraça... De fazedor, agora tenho de aprender a ser administrador. Para quem devo administrar? Eu sei a resposta. Nesse ponto Peter não me assusta.

Quem ganhou presente?

Nesta terça-feira passada, o amigo Lica Almeida estava fazendo aniversário e convidou os amigos, principalmente os da “velha guarda”, para uma confraternização, uma noitada de boa música entre uma cervejinha, um prato de fritas, alguns tira gostos. Não estavam presentes todos os que gostariam de estar, mas dos presentes, além do aniversariante, quem ganhou presente? Todos os que compareceram. Aniversário do Lica é assim, nos brindou com seus convidados artistas, artistas da maior qualidade, diga-se de passagem. Ranulfo com seu grupo fez o samba acontecer, até o Hugo, meu ex-aluno e companheiro do Coral Ielense nos encantou, a Beth, que voz, acompanhando a melodia do teclado sob o talento reconhecido do amigo Buico... E o que dizer do mano Pinha (Pedro Paulo), também meu ex-aluno lá do IL??? Obrigado Lica, no teu aniversário, nós os convidados, fomos quem ganhou o presente.

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Pedro Paulo (Pinha) emocionou a assistência com a interpretação das melhores músicas, acompanhado no teclado pelo mano Buico.

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Encontro com Bonani

Quem gosta de fotografar, de assistir um bom filme, quem já lhe passou pela cabeça a possibilidade de atuar diante de uma câmera, ou trabalhar por detrás, no set de filmagem, quem acha importante tratar sobre figurino, maquiagem, ou mesmo cuidar da iluminação, da captura do som, montagem de cenários, das locações, escrever roteiros, cuidar da produção, enfim, quem se interessa por essa nobre arte que é o cinema tem de marcar presença lá na 19ª CRE – Coordenadoria Regional de Educação, ali na Rua Duque de Caxias, entre o Wamosy e a Justiça do Trabalho. Federico Bonani, diretor e produtor de cinema, também assistente de direção de Jayme Monjardim, filho desta terra estará conosco para falar de cinema, de suas experiências, de seus projetos e num bate papo bem informal trocar idéias com os presentes: cinema poderá ser uma realidade aqui também. Aceitando o nosso convite, da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, Bonani, a partir das 19 horas, nesta segunda-feira 28 de janeiro, tem um encontro marcado com cinéfilos ou amigos que gostariam de ouvi-lo. Federico nos mostrando o resultado de seu último trabalho aqui em Bagé semana passada. Venha participar. Segunda, 19 horas, ali na 19ª CRE.

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Federico Bonani em ação - Trabalho com os alunos das Oficinas de Cinema em Bagé.

 

Escrito por jn canabarro às 20h57
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19/01/2013


Secretário de Cultura, Esporte e Lazer

Matéria publicada no Correio do Pampa

19 de Janeiro de 2013

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As três principais metas

do secretário JN Canabarro

 

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Estamos com mil sonhos, um número igual de intenções e muita gana de realizar tanto quanto for possível, mas não vamos descuidar de tentar fazer o impossível. A primeira grande meta da nossa secretaria, por decorrência do que nos foi imposto diante das condições dos prédios públicos, vem ao encontro de dar condições a essas casas: Sala Cultural; Museu Municipal; Casa de Cultura Ivo Caggiani; Biblioteca Municipal Rui Barbosa e Centro de Cultura Casa David Canabarro, acabando com goteiras, umidades, providenciar na pintura e tornar habitáveis e com um mínimo de conforto para atender o público. A Sala Cultural está interditada.

Segunda meta: trazer de volta o Concurso Revelações e Valores Literários ao mesmo tempo em que revigoraremos o Coral Municipal, o Grupo de Dança do município e a criação da Cia. Teatral Municipal de Santana do Livramento.

Por terceira meta, entre as muitas que já estamos projetando, o projeto da Construção do Teatro Municipal de Santana do Livramento. Com base no projeto já existente para a Casa de Cultura Ivo Caggiani (Antigo Fórum & Antigo Teatro 7 de Setembro).

Mas, com certeza, o objetivo maior é colocar a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer a disposição de nossos artistas e munícipes de um modo geral.

Pelo projeto do Governo GLAUBER & EDU são nossos objetivos de mudanças com qualidade sem o direito de errar.

Escrito por jn canabarro às 20h21
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Correio do Pampa - Espaço du'CAna 172

 

Edição 443

19 & 20 de janeiro

2013

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Coluna do

JN Canabarro

publicada na página 03

do Correio do Pampa impresso.

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Será que confiam em mim?

Não tem nada com trabalho, com função, com amigos ou conhecidos, mas me deu vontade de escrever sobre confiar ou não confiar nas pessoas. Algo assim como – este sujeito é competente, diz um. Aquela pessoa é cumpridora, afirma outro. Aquele parceiro é confiável, cumpridor, comentam. Aquele outro nem tanto. Sim, porque é comum as pessoas comentar sobre os outros, assim como cada qual se apresentar falando das suas qualidades. Opiniões de nós mesmos quem não tem e também opiniões sobre os outros? Todo mundo faz comentários, passa informações, dá pareceres sobres as atitudes, sobre procedimentos, comportamentos de outrem. Parece que estamos assistindo um filme que no desenrolar nos dá o perfil de cada personagem. Porém o enredo da trama não está só no que dizem, mas quando muita gente faz comentários semelhantes, passam informações que confirmam e reafirmam: - Esse cara é isso mesmo, ele faz sempre assim. Antecipando o final, já dá para se ter uma idéia de como será o encerramento da história. E quem precisa confiar, confia... Ou não.

Elefante branco...

Quem já comprou carro usado? O vendedor afirma estar lhe oferecendo o que há de melhor. E por algum tempo poderemos ter a impressão que realmente compramos um bom automóvel. Mas se o vendedor lhe disser: este carro tem o preço de um carro com ar condicionado, mas não tem o ar condicionado. O automóvel foi reformado, arrumado todinho, mas tem furos no capô, quando chove se pode perceber. Este carro tem aparência de ser econômico, mas para mantê-lo o imposto é elevado, faz poucos quilômetros por litro de combustível... Você compraria? Se lhe dessem de presente esse carro você não ficaria com a opinião de que lhe estão presenteando com um elefante branco? E você que leva a vida economizando, que sabe que tem pouco, como sustentar esse bicho?

Fotos e fotos

Estou muito inclinado em comprar uma câmera semi-profissional, ou profissional para satisfazer o meu hobby, sair por ai clicando o mundo. Já fiz muitas fotos, mas tenho certeza, das minhas melhores ainda não está a minha melhor foto, com o equipamento que tenho, dificilmente terei uma imagem que dê para se dizer: eis uma obra de arte. Recebi a visita de dois amigos, um deles meu ex-aluno, que mostraram um álbum, resultado do clic de suas objetivas, fotos lindíssimas, dignas de serem mostradas ao mundo. Mas o mais importante são os sonhos desses dois jovens, o projeto de fotografar a nossa história, os nossos costumes, paisagens e coisas das nossas raízes, a identidade da região e do povo, resquícios do que fomos, do que somos e o que nos moldará para o que seremos. Depois editar e publicar esse trabalho num livro/álbum. Rafael Caggiani e Leandro Abreu não desistam do sonho.

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Jovens fotógrafos santanenses, verdadeiros mestres no clic.

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Retorno ao passado

Juro que se tivesse o apito, a fumaça, o cheiro do carvão queimado, o bater do sino eu diria que voltei ao passado. Ver a plataforma lotada, os trilhos, o prédio da estação envolto na emoção, voltou a minha memória aquela ansiedade da espera do embarque para viajar no trem. Tinha muita gente, mas faltou Villa Lobos, Cleyton e Cledir, o fole da sanfona... Uns saindo, outros chegando e fica na história quem fez história. O resto é o resto...

 

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Plataforma de embarque da antiga Estação Férrea de Livramento.

Escrito por jn canabarro às 19h51
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12/01/2013


Correio do Pampa - Espaço du'CAna 171

 

Edição 442

12 & 13 de janeiro

2013

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Coluna do

JN Canabarro

publicada na página 03

do Correio do Pampa impresso.

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Encontro com Federico Bonani

O cinema sempre foi e será uma arte fascinante. Ficar duas horas no escurinho da sala de projeção, vendo na telona o desfile dos atores com seus personagens que nos contam uma história, plateias do mundo inteiro se emocionam com a “7ª Arte”. Na nossa infância os “bang bangs”, os filmes de capas e espadas, as comédias do Mazzaropi ou Cantinflas... Enfim, difícil viver sem o cinema. Até mesmo na televisão, o cinema em casa, as novelas, os DVDs, mas por trás desse glamour todo há uma indústria, uma grande indústria que vai além dos artistas. Diretores, técnicos, produtores, uma gama enorme dos mais variados profissionais que trabalham por detrás das câmeras, nos estúdios de filmagens, montagens e edições. Hoje compreendemos o cinema muito mais que assistir filmes, já nos interessa os bastidores, torcer para que seja produzido na nossa cidade... Claro que se pode fazer cinema aqui em Livramento, aliás, já foi feito vários filmes aqui na fronteira.

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Bonani, um cineasta santanense

Seria muito importante para a nossa cultura, para nosso conhecimento, termos um encontro com esse profissional, que é motivo de orgulho pra nossa gente. Federico Bonani, jovem que desde cedo, vem mostrando talento por trás das câmeras. Trabalhou com Sergio Silva (Anahy de las Misiones), com Tabajara Ruas e Beto Souza (Netto perde sua alma), na Rede Globo com a mini série “A Casa das Sete Mulheres” com Jayme Monjardim. Na seqüência de sua carreira foi diretor de cenas em várias novelas da Rede Globo e recentemente, como assistente de direção de Jayme Monjardim participa das filmagens do longa “O Tempo e o Vento”, filmado em Pelotas e na cidade cenográfica de Santa Fé em Bagé. Federico Bonani estará em Livramento para um bate papo descontraído e você, leitor, leitora, poderá estar presente. Já temos o local desse encontro. Será ali na 19ª CRE – Coordenadoria Regional de Educação – dia 28 de Janeiro, segunda-feira, às 19 horas.

Film Commission

Uma palestra com o diretor Bonani pode colocar Santana do Livramento no mapa das grandes produções. Vamos ouvir de suas experiências, sua trajetória, vivências, desafios e expectativas, da importância da existência de uma Film Commission (entidade que difunde produção audivisual local). Sua presença entre nós será de motivação a produção cinematográfica e também renovar entusiasmos a todas as artes. Dia 28, 19 horas, na 19ª CRE: Encontro com Federico Bonani.

Cuidado com o acervo...

Conversando com um amigo sobre as condições lamentáveis do prédio que acolhe a Secretaria Municipal de Educação, o Museu Municipal David Canabarro e a Sala Cultural, fui alertado sobre a possibilidade do Município ser multado por essa situação. O mofo, as goteiras, o estado precário da fiação elétrica coloca em risco o acervo do museu. Disse mais o amigo, se o Ministério Público passar pelo museu será uma pressão muito grande e haverá multas. Foi quando comentei sobre a sorte do Wainer Machado, deixou a casa cair e quem pode sofrer multa será o prefeito Glauber. Mas não vamos deixar isso acontecer, haveremos de encontrar um solução rápida e daremos as condições mínimas para o museu e para todo o prédio. O amigo lembra do projeto de tombamento e eu lembro do projeto de “erguimento”. Se os prédios fossem devidamente conservados, não necessitariam de “restaurações”...

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A propósito, o responsável por esse acervo agora sou eu, JN Canabarro. Quem era o responsável anteriormente?

Escrito por jn canabarro às 21h41
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05/01/2013


Correio do Pampa 170

 

Edição 441

05 & 06 de Janeiro

2013

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Capa da semana

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Coluna do  JN Canabarro

publicada na página 03

Correio do Pampa impresso

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Espaço du'CAna

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Quem espera nem sempre alcança

Os moradores já comunicaram várias vezes pelo 0800, que com os ventos e chuvas fortes que freqüentemente tem acontecido na fronteira oeste, um poste da Rua Tiradentes corre sério risco de cair e ninguém se atreve a dimensionar o tamanho da tragédia que poderá causar. Menos de cem metros, na mesma Rua Tiradentes com a Rua Bento Gonçalves, um poste em condições semelhante caiu sobre uma casa e ainda está lá deitado, encostado na parede. Um outro na Rua General Neto caiu e já foi substituído por um poste de concreto. Os moradores não sabem qual é a política da empresa encarregada da manutenção da rede elétrica, se é de trocar o poste antes que caia ou só troca depois que cai... De qualquer sorte, a aflição dos moradores quando chove é enorme. Por enquanto contam com a vontade de Deus.

 

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Poste elétrico aguardando a troca ou na pior das hipóteses, aguardando uma tragédia.

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Cineasta santanense agenda visita

Conversando com o amigo Federico Bonani nos fez saber que estará em Bagé nos dias 16 a 20 de janeiro fazendo uma “Workshop” e um filme na cidade que os abrigou por ocasião das filmagens de O Tempo e o Vento – de Jayme Monjardim. Fredi desenvolverá esse trabalho com os alunos do curso. Mostrando disponibilidade e aproveitando sua também estada de quatro dias em Livramento, sua terra natal, Federico Bonani agendou uma série de encontros com empresários da cidade e com o presidente da ACIL, Sérgio Oliveira. Prontamente o cineasta santanense aceitou nosso convite (através da Secretaria Municipal de Cultura Esporte e Lazer) para um encontro com interessados sobre cinema, um bate papo sobre suas experiências e expectativas profissionais, uma troca de idéias e alternativas para fomentar o cinema e artes em geral na nossa cidade. Agendamos para o dia 28, segunda-feira, às 19 horas, só falta definir o local desse “encontro com Federico Bonani”. A partir de segunda-feira estaremos providenciando os convites.

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Federico Bonani - Assistente de direção de Jayme Monjardim no filme; "O Tempo e o Vento"

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O valor que os outros nos dão

Eu não sei o que é mais importante, se o autor falar de sua obra ou deixar a obra dar o destaque ao seu autor. Às vezes se faz necessário que falemos, até mesmo para que a nossa obra seja conhecida. Não é menos importante falarmos sobre o nosso trabalho, principalmente se o que produzimos é conhecido e valorizado pelos outros. É a tal coisa: falar do santo e mostrar o milagre. A cada dia que passa descubro coisas, assim como: a importância e a responsabilidade que tem a nossa função (atividade profissional, atividade artística, etc. etc...), aquilo que fazemos e como nossa tarefa é percebida pelos nossos colegas de trabalho, pelos nossos amigos, nossos familiares, as pessoas que de uma forma ou de outra entram em contato conosco, ou com aquilo que produzimos. Essa relação produz um valor maior ou menor, mas só é um valor real se a obra existe. Os ausentes, ou aquelas pessoas que fazem pouco, ou que fingem que fazem, ou dão dimensão exagerada ao que fazem, o que querem despertar nos outros quando falam de suas obras? Neste caso as obras falam mais alto. Nunca subestime a capacidade de percepção dos ouvintes. Alguns poucos são ingênuos, em maior número, perspicazes!

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Somos reais ou somos personagens?

Quando nossos filhos, ou netos, nos pedem um sorvete, ou um livro, ou um computador, eles têm a noção do que fazemos para ganhar nosso dinheiro, nosso salário? Não está em discussão se o salário está defasado, ou é justo ou injusto. Que essa discussão se dê dentro do sindicato. Pergunto se eles fazem uma idéia da importância que damos ao nosso emprego, da relação pessoal que dispensamos a nossa atividade? Se desejamos aos nossos que eles procedam profissionalmente como nós quando forem adultos? Acho que as pessoas se realizam quando os outros percebem quão importante é aquilo que fazem. Fingir que se faz, só no palco.

 

Escrito por jn canabarro às 00h12
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29/12/2012


Correio do Pampa 169

 

Edição 440

29 & 30 de dezembro - Ano 2012

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Capa da semana

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Coluna do  JN Canabarro

publicada na página 03 do

Correio do Pampa impresso.

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Espaço du'CAna

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Erros lamentáveis

Na sexta-feira 21 de dezembro, lá pelas duas horas da madrugada, enviei para o jornal, por e-mail, o texto da página (Como sempre faço). Como estava encima da hora para sair de viagem à capital do Estado e só voltaria no sábado, não tive tempo de revisar e corrigir os possíveis erros, e foram tantos. Por isso peço desculpas aos leitores. Erros de grafia, concordância verbal e concordância nominal não são toleráveis, por isso desculpem-me. Isso não pode se repetir. Mas quem quiser ver os erros corrigidos é só acessar o blog: http://jn.canabarro.zip.net  lá estão postadas todas as colunas deste espaço.

Pequenas atitudes

A RBS TV/Bagé está fazendo uma reportagem sobre o lixo aqui na cidade e conversamos rapidamente com os repórteres sobre o lixo jogado nas ruas e o estado das lixeiras das principais vias públicas. Ligeiramente podemos dizer: o povo tem o hábito de jogar o lixo que produz em qualquer lugar. Comeu um bom-bom, papel no chão. Acabou de fumar, ponta de cigarro ao chão. Bebeu um refrigerante ou cerveja, lata junto ao cordão da calçada e assim vai. As lixeiras que ali estão para coletar esses resíduos estão completamente destruídas pelos vândalos, se alguém quisesse usá-las não poderia. Diante disso, eu levo o meu lixo para casa e não jogo na rua. Por que procedo assim? Por que a maioria não faz isso? O leitor seria capaz de rebentar com uma lixeira pública? Eu não. Por que certas pessoas destroem as lixeiras, bancos das praças, quebram lâmpadas, não respeitam a coisa pública? Diríamos, não têm educação, civilidade, senso crítico. E nós, que respeitamos tudo isso, onde adquirimos nossos hábitos, nossos costumes, nossa “educação”? Lembremos também, que vândalos existem em todas as classes sociais. Há vândalos que não se limitam em destruir lixeiras, vão mais longe, arrastam com seus automóveis cães vivos. Outros chegam ao requinte de queimar índios e mendigos. Quem é essa gente que joga papel ao chão, que quebra lixeira, que queima mendigos?

Atitudes no supermercado

No Righi da Uruguai, tem cartazes pedindo que o carrinho, depois de vazio, seja passado pelo caixa. Com isso se evita o engarrafamento de carrinhos vazios impedindo de que outros fregueses cheguem ao caixa. Num dia destes mostrei o cartaz a uma senhora para que ela passasse o seu carrinho que deixara na frente do meu, ela se zangou, foi até meu trabalho queixando-se de que eu lhe chamei a atenção, acreditando que lhe desrespeitei. Noutro dia o caso se repete com uma dona que andava com o filho, ou netinho, deixou o carrinho trancando o caixa, mesmo lhe mostrando o cartaz, ela se negou de passá-lo. Falou em alto e bom som: - Não vou passar o carrinho... E não passou mesmo. Também não pagou o todinho que o filho, ou neto vinha tomando e ela deixou a embalagem vazia numa estante antes do caixa. Bebeu e não pagou, que sem vergonha.

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Em Canoas com o deputado

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Deputado Federal Marco Maia e o vereador Dr. Aquiles Pires

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O vereador  Dr. Aquiles Pires, depois de se reunir com sua base e ser convidado a estar em Canoas, cidade natal do Deputado Federal Marco Maia e cumprir agenda com o Presidente da Câmara Federal, nosso edil apresenta projetos ao deputado levando em consideração os anseios da comunidade santanense. Também estive presente nessa reunião e me foi apresentado Cuca Pereira, responsável pelos projetos culturais junto ao gabinete do Dep. Marco Maia. Esses primeiros encontros, antes mesmo de assumir, estão servindo para aquecer as baterias. Tão logo após a posse, seguindo as propostas de governo, não se medirá esforços para transformar a gestão do Professor Glauber Lima prefeito de Livramento num governo propositivo, participativo e democrático. A participação de todos, desde lá do alto até aqui, será uma corrente de realizações.

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Caminhos de Valda

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No Núcleo de Estudos Fronteiriços – Ufpel, nesta quinta-feira próxima passada, foi exibido o filme/documentário com roteiro e direção de Marlon Aseff, que trada da vida da artista plástica catarinense Valda Costa. Marlon é um grande cineasta, falta descobrir-se. Depoimentos emocionantes de vários artistas plásticos, marchand, colecionadores, professores, comentando a obra e vida da emocionante Valda. Não foi proposta do filme, há relatos de que Valda chegou a produzir quase 800 quadros. Na década de 70, a artista teve suas obras reconhecidas. Pobre, negra, obteve uma ascensão meteórica. Mas seu fim foi dramático, chegou a ser internada no Instituto Psiquiátrico e morreu pedinte. Depois o professor e artista plástico uruguaio Osmar Santos comenta sobre a obra da artista e a professora Enilda Martins, do Centro Cultural Zumbi dos Palmares fala dessa mulher negra, pobre e artista, hoje reconhecida a sua obra.

Escrito por jn canabarro às 21h35
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23/12/2012


Correio do Pampa 168

 

Edição 439

22 & 23 de Dezembro - Ano 2012

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Capa da semana

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Coluna do   JN Canabarro

publicada na página 03 do Correio do Pampa impresso

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Espaço du'CAna

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Por ocasião da diplomação

Eu estava reparando... Salvaguardando as individualidades, eis a importância do grupo. Uma equipe de trabalho, assim como uma equipe futebolística, cada peça tem seu valor e função dentro do time. O jogador goleador, o goleiro que defendeu o pênalti, eles cumpriram sua função e são tão importantes quantos os outros da equipe que lhes deram suporte para que eles atingissem seus objetivos. Um diretor de teatro é tão importante quanto o ator coadjuvante. Aprendi com a equipe de "O tempo e o vento" - filme do Jayme Monjardim. Atores renomados fazendo cenas de 10, 15 segundos, num filme de 2 horas que conta uma história de 200 anos, com 116 personagens e tem seus atores e atrizes famosos, mas o trabalho grandioso dos principais protagonistas fica tremendamente melhor pela presença de quase 2000 figurantes. Não vi no rosto de nenhum daqueles astros a soberba, nenhum subir ao pedestal para mirar os outros abaixo. A humildade forja os grandes homens. Como é bom a gente estar rodeado pelos nossos iguais. Um abração aos diplomados e em especial ao Aquiles. Embora tu não sejas o goleador, és fundamental à equipe, és o nosso esteio. Quando o diretor gritar ação, estarás seguro em cena. Nos bastidores uma legião, porque assim é a vida. Se virtuoso como és!

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Vereador Aquiles Pires e alguns de seus apoiadores.

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Importância ao que tem importância

Não sei por que acontece assim, ou melhor, sei, mas não carece maiores explicações. Muitos artistas de novelas, cantores famosos, só aparecem na rede de televisão onde têm contratos. Também só recebem prêmios promovidos pelas suas próprias emissoras. Às vezes, um ator para aparecer noutro canal tem de ter a permissão do empregador, como por exemplo, um ator da Rede Globo ser entrevistado pela TV Brasil. Já vi a Leda Nagle agradecer pela gentil cedência por este ou aquele ator que participou no Sem Censura. Já imaginaram isso acontecer aqui na nossa cidade, as pessoas serem entrevistadas, noticiadas somente nas emissoras e jornais onde tiverem vínculo? (O vínculo pode ser comercial, empregatício ou ideológico.) – Num antigamente não muito distante, um jornal não publicava, nem pagando, qualquer coisa vinda de um sindicato. Claro que se a notícia fosse desabonadora era capaz até de ganhar a manchete de capa. Não sei por que, cada vez mais gosto da “verdadeira” liberdade de imprensa. Aquela que não se preocupa só com o que vende, mas com a importância do que tem importância.

Ainda não assumi

Faltam dez dias para me tornar vidraça (Secretário da Cultura, Esporte e Lazer), como brinquei com o atual prefeito, meu amigo, professor Wainer Machado. Antes eu era estilingue. Mas aproveito esse tempo, antes para uma reflexão e também para alinhar algumas ideias. Nesse exercício mental me vem à mente todos os discursos e críticas que dirigi às autoridades e dirigentes da cultura desde os tempos do Professor Rubens Callero, da professora Leone Simões Pires, quando foi criada a Sala Cultural. Esse espaço foi meu palco para muitas peças teatrais. Mas essa relação Artista/Sala Cultural/Prefeitura Municipal nem sempre foi harmônica. Ora não tinha cortinas nas portas e janelas, ora faltava iluminação, ora a ocupação da sala com outras atividades nem tão artísticas. E, com o passar do tempo, de minha parte recebendo a maior crítica, que o tempo me deu razão. O descaso com a Sala Cultural Professor Antônio Francisco Pereira Alves – Prof. Chiquinho. Desde a sua fundação, 1983, aquele espaço que é lindíssimo, elogiado por muitos artistas de fora, quando nos visitam, foi se descaracterizando, regredindo, deteriorando-se. Hoje está sem iluminação, faltam cortinas, tratamento acústico e até as cadeiras diminuíram de número. E ficou por aí? Não. Foi interditada pela existência de goteiras. E no prédio existem dois pavimentos acima da sala. Os outros pavimentos não foram interditados. A sala foi...

Vai que é tua, Secretário

Músicos e cantores temos muitos e talentosos, dançarinos e bailados tipo exportação também temos, artistas plásticos, desde fotógrafos até os ceramistas, pintores, escultores são muitos. Livramento é bem servida de artistas dos mais variados gêneros e das mais variadas manifestações. Os artistas gostam de produzir, depois de pronta mostrar suas artes. A disposição da Secretaria da Cultura, Esporte e Lazer temos o Museu Municipal David Canabarro, a própria Sala Cultural, a Casa de Cultura Ivo Caggiani, a Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa e a Casa do David Canabarro. Possivelmente venhamos ter aos cuidados da Secretaria a casa da antiga Estação Férrea que está sendo restaurada (Não tenho certeza disso, me falaram). Juntando todos os artistas, todos esses lugares e reestruturar, aperfeiçoar, construir e otimizar os espaços, buscando atendê-los, quem sabe dentro de pouco tempo tenhamos por mais vezes e com mais qualidade o encontra dos fazedores de artes com o público que consumirá e aplaudirá nossos talentos. Vou apostar nisso.

Escrito por jn canabarro às 01h31
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16/12/2012


Correio do Pampa 167

 

Edição 438

15 & 16 de Dezembro - Ano 2012

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Capa da semana

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Coluna do  JN Canabarro

publicada na página 03 do Correio do Pampa impresso.

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Espaço du'CAna

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Cinema e literatura

 

É comum ouvirmos das pessoas, quando comentam sobre um romance que virou novela, mini-série, cinema, que o livro é bem melhor, mais rico em detalhes, às vezes tem mais personagens do que aparece no cinema, como também pode acontecer ao contrário, no filme aparecer um personagem que não exista na literatura. Isso seria descaracterizar a obra literária? Não, ela continua sendo o que é, como sempre foi. Dessa obra se originou outro trabalho. Porém, temos de considerar algumas coisas. Literatura é uma arte, cinema também, cada qual com suas próprias características. A literatura, neste caso, dá a base para o filme, mas o filme é o filme, não é a literatura que foi transformada em fotografias quadro a quadro. O filme deve ser encarado como uma nova obra, independente da literatura de onde foi baseado. Sempre que se fizerem comparações e cobranças de originalidades, nalgum ponto não vai dar certo. Por isso devemos separar bem as coisas. O livro é o livro, o cinema é o cinema... Espero do filme "O Tempo e o Vento" uma grande obra, digna do romance de onde se baseou, mas que seja completamente diferente de tudo o que já se fez até hoje sobre a obra do Veríssimo.

 

Temporadas artísticas

 

Quando se chega à capital do Estado e se deseja curtir um show musical, assistir uma peça teatral, ver um bom filme, ir a um restaurante com música ao vivo é raro que não encontre. Os teatros fazem temporadas com peças que ficam em cartaz por meses. Claro, é capital, uma grande população e tem público para consumir essas manifestações artísticas. Têm-se algumas casas de espetáculos que podem atender seus artistas e a arte acontece. É bem verdade, já ouvi queixas de que faltam salas de espetáculos em PoA, muita gente deixa de se apresentar por não conseguir espaço para fazer temporada, principalmente espaços para a música e teatro. E aqui em Livramento? Se não estão acontecendo espetáculos de dança, shows musicais, apresentações teatrais, recitais, etc., é porque as pessoas não gostam? Eventualmente temos atividades escolares, apresentações voltadas para as crianças. E para o público em geral? Onde acontecem essas apresentações artísticas? Se não temos casas de espetáculos, também são poucos os artistas, quem se preocupa em sair de casa para assistir uma apresentação teatral? Onde, com quem? Resta para a população passear de carro pela Sarandi ou ficar em casa assistindo televisão. Como fomentar a produção e o consumo cultural em Livramento? Eis aí um desafio.

 

Na falta do teatro, se usa auditório.

 

Quantos auditórios existem em Livramento? Se contarmos iniciando pelas escolas, o Professor Chaves tem auditório, a Unipampa (antigo Ginásio Santanense), o Instituto Livramento (sob o ginásio), o colégio Santa Tereza, o General Neto, o auditório do Rivadávia Corrêa e acho que ficamos por aí. E como está a prática do teatro nesses lugares? Teatro estudantil, sei que acontece e muito bem até, mas o teatro como manifestação cultural, um teatro amador mais próximo do profissional, quem está fazendo? Auditórios outros temos na Brigada Militar, no Sétimo, na ACIL, na UNIMED, nas igrejas alguns salões paroquiais: Igreja Episcopal Anglicana, Matriz de Santana, Igreja do Rosário, Igreja Batista, Igrejas dos Mórmons... Nossa casa de espetáculo propriamente dito seria a Sala Cultural... Mas por enquanto está interditada.

E com a modernidade, equipamentos potentes de som, os ginásios passaram a ser o palco para as bandas e são nesses ginásios que acontecem os festivais de música gaúcha, principalmente. Imagine uma cidade como a nossa tendo um centro de eventos, uma ou duas casas de espetáculos, com certeza nossos artistas teriam encontros mais intimistas com seus públicos e teríamos na dança, na música, no teatro, no canto uma infinidade de artistas para exportar ao Brasil e ao mundo. O nosso povo também seria mais feliz.

 

Duas mulheres, mil mulheres

Singela, tocante, forte... Arte, saúde, testemunho. Aconteceu na Sala Cultural de Antel a Exposição de fotografias e artes plásticas, preparadas pelas artistas Carmem Moyano, Flavia Gariazzo e Juliana Freitas. O tema central da exposição: a doença, o tratamento e a esperança de vida. Além das obras expostas, a mesa de testemunhos dos doutores Alberto Pereyra, Carlos Laguzzi e Leticia Moreira – apresentados por Michel Croz. Um grande momento de emoções, de descobertas, de valorização e de amor. Um gesto de grandeza das duas pacientes que venceram pela determinação, mas acima de tudo, o exemplo. Parabéns, duas mulheres, vocês são milhares delas e vencedoras.

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Duas mulheres que são mil mulheres...

Escrito por jn canabarro às 14h21
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09/12/2012


Correio do Pampa 166

 

Edição 437

08 & 09 de Dezembro - Ano 2012

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Capa da semana

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Coluna do   JN Canabarro

publicada na página 03 do Correio do Pampa impresso

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Espaço du'CAna

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Visita de artistas

Tito Mendes é um amigo e ator riverense que está radicado no Paraná, fazendo teatro, cinema. Nesta quinta-feira me fez uma surpresa, apareceu na minha porta, assim, de repente, ele e sua esposa, que também é atriz: Tito Mendes e Marcia, na minha casa nova? Vamos ter de “bebemorar”. E visita de artistas qual é o tema da longa conversa? No nosso caso, Cinema e Teatro. Conversamos muito sobre o que fizemos e sobre as possibilidades que estão por vir aqui em Livramento. Muitos sonhos e sonhos, projetos e projetos... Em 2010 Tito Mendes participou das filmagens dos “Contos Gauchescos – Simões Lopes Neto nas telas”, dirigido por Freitas Lima. Contracenou com Nelson Diniz, outro grande ator que passou por estas bandas e bebeu da nossa água... E não é que já fazem 25 anos que conheci o Tito Mendes, que era eletricista ali na oficina do Neizinho e eu o convidei para fazer parte do meu grupo teatral?

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Tito e Marcia visitam JN Canabarro e comemoram os muitos anos fazendo arte.

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Uma grande trajetória artística

Eu e o Tito tivemos muitos trabalhos juntos, montamos “O Julgamento de Luculo” três vezes, uma com o Olavo Saldanha e as outras duas por nossa conta. Fizemos sucesso com “Bons Tempos, Maus Tempos”; “O Bicéfalo – a verdadeira história do transplante que quase deu certo”; “A Conversão do Diabo”; “A História é uma História”; “Oswald de Andrade – Um Homem Sem Profissão”, todas essas peças com a Cia. Teatral Ielense. Com a Cia. Teatral Livramento, do saudoso Olavo Saldanha Filho, além do Luculo, fomos dirigidos pelo Picolino em “Antigona”; “Jardim das Delícias”; “Bodas de Sangre”. Nesse meio tempo, participamos como atores no filme “Santana dos Livramentos” – filme do Thomaz Guilherme Neves. No filme “Lua de Outubro” eu participei como ator e Tito Mendes trabalhava na produção, depois o artista riverense foi aventurar-se no Paraná, lá, ele e a Marcia, mais precisamente em Ponta Grossa, mantêm uma Cia.Teatral. E quinta, entre uma garfada e outra, lembramos da participação do Tito num auto de natal na frente da 19ª CRE, andava de férias, Tito viveu Heródes, o malvado Heródes. Pois não é que estamos nos programando para o ano de 2013, ele reviver esse mesmo personagem no nosso auto de natal com quatro cenários?

Mudar de ideias

Em política, mudar de ideias nem sempre significa mudar de ideologia. Por mais contraditório que possa parecer. Mudar de estratégias para uns é errado, para outros é evolução. É comum ouvirmos centenas de milhares de pessoas exigindo mudanças, mas na hora da real mudança, que mude o vizinho, que os outros mudem, ele permanecerá agarrado nas suas convicções e no seu status quo. Às vezes agarrado fervorosamente no seu espírito crítico e vê só o que sua própria critica permite que Veja. Também temos aqueles que pregam flexibilização, transversalidades, mas quando se busca isso na prática parece que se está cometendo o pior dos pecados mortais. Em primeiro lugar, temos de testar a nossa confiança. Se eu não confio em determinada pessoa (e existe alguém em quem o leitor confia?), qualquer atitude dessa pessoa me parecerá coisa suspeita, pois não lhe deposito confiança. Mas isso não é atestado da verdade sobre a verdade. Por trás de certos contraditórios tem muita busca de caminhos para se atingir o objetivo que nos foi proposto. Em determinadas circunstância vamos queimar a língua, decepcionar os que de antemão nunca confiaram na gente e assim vai o mundo. Lá em casa, com o passar dos dias, tudo será explicado...

Escrito por jn canabarro às 21h03
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01/12/2012


Correio do Pampa 165

 

Edição 436

01 & 02 de dezembro - Ano 2012

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Capa da semana

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Coluna do   JN Canabarro

publicada na página 03 do Correio do Pampa impresso.

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Espaço du'CAna

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Por que eu? Ou por que só eu?

Ainda estou me questionando sobre o processo eleitoral que aconteceu em todas as escolas estaduais no Rio Grande do Sul. E, que poderia servir de exemplo para todas e quaisquer eleições promovidas dentro de uma sociedade moderna do século XXI. Se somos educadores, sabemos ensinar matemática, português, geografia, as mais diversas ciências, dar aulas de democracia, qualquer escola tiraria de letra. Seria isso? Fazendo a pergunta: quem teria a legitimidade de poder concorrer? Sem responder, parece que em alguns casos, bastou haver concorrente e diriam: a casa caiu... O que mais vale em uma eleição e a qualificação dos candidatos e que vença o melhor. Mas isso pode acontecer num clima de competição entre colegas de trabalho. Não precisava, depois das eleições, uma romaria de professores procurando outras escolas para trabalhar. Parabéns às escolas onde reina a paz depois do pleito. Venceu o melhor.

Aplausos e apupos

Quero agradecer de coração a todas as manifestações que até agora tem chegado pelo facebook, por e-mail e acenos nas ruas, cumprimentos e felicitações. Puxa, gente, estou com a “bolinha cheia”. Sei que é comum acontecer manifestações das mais variadas tecidas sobre pessoas nomeadas para este ou aquele cargo. Meu nome foi anunciado para secretariar a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, desde então amigos e até adversários de outras agremiações partidárias, têm se portado com muito carinho a minha pessoa. Não sei se mereço tanto. Como professor, ator, diretor de teatro, autor, não exagerando, acho que dou conta do recado, conheço a área... Mas agora tenho de ser gestor, dirigir uma secretaria que engloba as mais diversas facetas da cultura. Vou precisar de ajuda, apoio e muito boa vontade de um monte de gente, gostaram do “monte de gente”? Precisamos trabalhar em grupo, como num peça teatral, cada um fazendo a sua parte na cena, na ordem e no tempo... Vou me virar do avesso, contando com vocês, porque aplausos virar apupos acontece num piscar de olhos.

Teatro nas escolas

Está de volta a cidade a diretora teatral Tanise Carrali, depois de uma ausência de quase um ano. Para felicidade do seu fiel grupo, juntaram-se e estão colocando em cartaz a peça: “O Príncipe de Quase Tudo”. No elenco estão Bruno Rodrigues e Julia de Freitas, artistas que acompanham a Tanise Carrali já há bastante tempo. Esse espetáculo está sendo oferecido às escolas e para tanto a que se agendar. Pelo que me consta, várias apresentações já estão acertadas e as datas oferecidas são do dia 11 ao dia 21 de dezembro. O telefone da professora Neiva Pereira é 9725 1629. Ela é responsável pelo agendamento. Sempre é bom lembrar: assim como um bom prato de comida alimenta o corpo, a arte é o alimento do espírito. Comer, dormir, trabalhar, são necessidades básicas tão importantes, mas é fundamental alimentar também a alma com a música, com a literatura, com a dança, com o teatro... Uma casa aconchegante se torna mais agradável ostentando quadros e obras de arte na parede... O que passará pela cabeça das nossas crianças, vendo artistas a sua frente representando?  Vendo um príncipe de quase tudo...

Valores e revelações

Existe uma lei que torna necessário a edição dos concursos Revelações e Valores Literários, aqui no município. Não estamos questionando o porquê do não acontecimento desses concursos, mas segundo o corpo da lei, para a chamada de um novo concurso se torna necessário a publicação de um livro com os contos, crônicas e poesias premiados do concurso anterior. Quer dizer, para a nova edição desses concursos teremos de prover recursos para a publicação de dois livros. Gostei do desafio. A primeira edição do Revelações aconteceu em 1979, que foi recebida pelos literatos com muitos aplausos. Um concurso como esse tem grande valia para a cultura, principalmente para esta cidade símbolo do Mercosul, símbolo da integração. A literatura em todos os tempos, desde a criação da escrita, é a base para a formação cultural de um povo. No pensamento dos escribas, poetas, escritores, com suas penas registram-se todos os valores que formam a sociedade e nos tornam universais.

Escrito por jn canabarro às 17h24
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24/11/2012


Correio do Pampa 164

 

Edição 435

24 & 25 de Novembro - Ano 2012

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Capa da semana

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Coluna do JN Canabarro

publicada na página 03 do Correio do Pampa impresso.

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Espaço du'CAna

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Gaza, eterno conflito

Meus amigos: existem coisas que para nós que estamos distantes, parece não haver explicação. Um povo que foi massacrado na 2ª Grande Guerra, que Hitler queria levar ao extermínio, que sofreu coisas inarráveis que até hoje chocam a humanidade, pois não é que os grandes líderes desse mesmo povo, procedem com igual prepotência sobre o povo palestino, e querem passar ao mundo que são justos, pois estão (dizem) combatendo “terroristas” e todo o território da Palestina foi prometido por Deus aos seus ancestrais. Que deus é esse que justifica a morte de crianças, homens e mulheres, que suas casas sejam arrasadas, que suas terras sejam tomadas e que todos sejam confinados entre o mar e o rochedo, sitiados por terra, pelo ar, pelo mar? Também não consigo entender a ideologia de certas pessoas, que criticam o MST por sua luta pela Reforma Agrária e justificam essa atrocidade cometida pelo exército israelense sobre a Palestina. Ah, os donos...

Uma outra guerra

A democracia é uma forma de governo que emana do povo. Coisa bonita, defendida em cantos e versos: do povo, pelo povo, para o povo. Também me considero democrático e até misturo democracia com socialismo, pois nesse mesmo povo existem diferenças e desigualdades, socializar conhecimentos, disponibilizar recursos, programas sociais que venham dar maior eqüidade social, justifica a própria existência democrática. E que maior exemplo de democracia pode haver quando esse mesmo povo escolhe seus governantes? Quando gente do povo se prontifica a um pleito para liderar esse povo de onde se origina? E quando uma comunidade escolar, onde o fim maior é a própria educação, se dispõe a participar de uma eleição, ouvimos cânticos, loas, exemplos democráticos. No final da disputa, vencedores e vencidos saem fortalecidos pela convivência cívica e ratificam a máxima do princípio – do povo, pelo povo, para o povo.

Qual guerra?

Se houvesse mortes, seria igual a guerra que acontece em Gaza... Gente, tirando o exagero, que “vontade desgraçada” de se fazer democracia, de se dar exemplo de convivência, de vontade de trabalhar pelo povo foram demonstradas nalgumas escolas, por este Rio Grande afora, na escolha de seus diretores e diretoras... Uma verdadeira guerra. Inimigos, detratores, contendores, rivais mortais que há poucos dias eram colegas de trabalho, até amigos e companheiros, bastou haver disputa e passaram a se dizer muito mais que isso. Meus senhores e minhas senhoras: que belo exemplo de educação democrática se passou aos jovens, aos aprendizes de governantes... Exemplos a serem seguidos? Que espírito, que clima paira pelos corredores desses estabelecimentos educacionais depois dessa “eleição/guerra”? Quantos professores e professoras terão de trocar de escola depois desse pleito? Com esse tipo de democracia, quem ganhou?

Sorrisos dos dois lados

Mas o que vale são os bons exemplos, mesmo que não sejam os nossos. Alunos, pais, professores, funcionários, com sorrisos aguardando a comunidade vir ao voto, adversários que não eram adversários, porque não eram mesmo, eram colegas em disputa, como num campeonato esportivo, equipes em confronto, uma será vencedora e aplausos das torcidas aos desportistas. Numa eleição escolar também o mesmo espírito, o mesmo sentimento democrático e salutar. O saber do dispor-se aos outros, pelos outros, com os outros. Depois da eleição, renovada as forças, muito trabalho e zelo pelo que se é proposto. Porque convenhamos: eleição dentro das escolas deve servir de exemplo a todas as comunidades. Muitos dos nossos políticos estão precisando de belos exemplos dado pelos formadores que são os nossos educadores. E aconteceu!

Escrito por jn canabarro às 20h50
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17/11/2012


Correio do Pampa 163

 

Edição 434

17 & 18 de novembro - Ano 2012

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Capa da semana

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Coluna do JN Canabarro

publicada na página 03 do Correio do Pampa impresso.

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Espaço du'CAna

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Natal na praça

Teremos as festividades do Natal na praça? As árvores e postes ornamentados? Prédios e casas enfeitadas de luzes? A cantata de músicas natalinas, as canções do Coral e a regência do maestro tenor? As colunas do antigo fórum serão iluminadas, circundadas por um palco, cadeiras na Duque, arquibancadas? Aliás, um evento natalino demanda planejamento, preparação e até destinação de recursos. Quantos meses antes da data começam-se com esses preparativos? Bem, então acontecerá o Natal na praça! Ninguém planeja, provem recursos e desiste no meio do caminho. O que tem de ser feito merece ser feito. Mesmo assim pergunto: Haverá o evento de Natal na praça?

Os nomes estão surgindo

Um amigo meu, aliás, vários, me perguntaram quem serão os secretários do novo governo municipal? (Calma, já está sendo formado) A curiosidade até certo ponto é salutar, depois da eleição, saber quem vai ajudar os eleitos a governar? Apresentado os indicados para ocupar as secretarias, todos fazem um exercício mental e projetam expectativas futuras. Mas antes dos nomes, durante as eleições, se apresentaram seis propostas e o povo escolheu esta, que com calma, pensadamente, costurando conversas, medindo os passos, buscando caminhos, e com o grupo de transição,tomando conhecimento do que se terá às mãos, já a partir de janeiro, já está no aquecimento. Os sonhos são muitos e há que se sonhar muito mais. Com o novo governo tornar sonhos realidades deve ser o objetivo primeiro, principalmente porque os sonhos foram quase todos, sonhos coletivos. Parabéns prefeito Glauber Lima; vice-prefeito Edu Oliveira; parabéns Fabrício Silva – Secretário da Administração; Luis Claudio Quevedo – Secretário da Habitação; Carlinhos Fernandes – Secretário da Agricultura; Mário Santana – Secretário da Educação e Horácio Davila – Diretor do DAE... Segunda-feira tem mais... O time está sendo formado para levar Livramento a um novo rumo. O futuro é agora.

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Paixões sempre bem resolvidas

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Torcida rubronegra do Leão da Fronteira.

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O futebol sempre foi uma verdadeira paixão entre os brasileiros e quem tem idade para andar de graça nos coletivos, lembra bem o que eram os “gre-quas”, aqui em Livramento, tão acirrados quanto os “gre-nais” hoje em dia. Os domingos na Vila Honório Nunes, ou na Vila João Martins, o vermelho e branco, ou o rubro negro coloriam a cidade. O Armour e o Fluminense tinham maior destaque no “Torneio Início” – que era disputado em quatro partidas de meia hora cada uma e todas no mesmo estádio e na mesma tarde. Só tínhamos a Rádio Cultura do locutor Rubens Mandarino e não era qualquer rádio que pegava a Farroupilha, a Guaíba. Com as estradas intermunicipais da época, jornais da capital chegavam com um dia de atraso. Notícias da dupla grenal só na terça-feira e assim mesmo sem muito destaque. A Platéia do Toscano Barbosa impressa no sábado à noite, saía no domingo, vinha a folga dos funcionários, jornal com notícias do futebol do domingo, só na terça-feira. Os comentários, resultados e acontecimentos ligados ao futebol corriam nas rodas de amigos, nos bares, nas esquinas. O rádio de pilha recém estava chegando e eram enormes, quase do tamanho das paixões.

Pra quem torcer?

As paixões ainda existem. Torce para o 14 de Julho quem é gremista santanense? Quem é quatorzeano, torce para o Grêmio Santanense? Sim, torci para o Grêmio lá no Atilio Paiva de Rivera quando o Grêmio Santanense disputava o campeonato gaúcho. A torcida colorada lotava a geral, mais de quatro mil pessoas e o Pedro Espírito Santo gritou bem alto: “Mais da metade dessa gente toda que está aqui é quatorzeana...” E era verdade, eu era um deles. E agora, nessa torcida do quatorze, quantos gremistas estavam presentes, torcendo para o 14 contra o Brasil de Pelotas? Junto de mim tinham dois. As paixões continuam as mesmas, porém não bem resolvidas enquanto houver essa alternância de um ou outro participar desses campeonatos.

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Com certeza, a união das torcidas gremista e quatorzeana formam a torcida santanense.

Na foto: O mano Wilson, eu JN Canabarro e minha esposa Vane, dois colorados e um rubronegro.

Escrito por jn canabarro às 13h55
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